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quinta-feira, 8 de março de 2012

TERTÚLIA



Moderadores: Professora Maria do Céu Ferreira e Professor António Baltazar

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Programa "A Voz da Escola" na Rádio Elmo



No Portal da Rede de Bibliotecas de Pinhel estão disponíveis mais fotografias do programa "A Voz da Escola", na Rádio Elmo, do dia 15 de dezembro de 2011. As fotos podem ser vistas AQUI .

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Programa "A Voz da Escola" na Rádio Elmo


No Portal da Rede de Bibliotecas de Pinhel estão disponíveis mais fotografias do programa "A Voz da Escola", na Rádio Elmo, do dia 17 de Novembro de 2011. As fotos podem ser vistas AQUI .

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Tertúlia - violência no namoro

No dia 3 de Junho de 2011, realizou-se, na Biblioteca da EB2, do Agrupamento de Escolas Pinhel, mais uma tertúlia subordinada ao tema: Violência no namoro. Esta actividade, relativamente às anteriores, contou com a participação e comunicação das alunas do 12.º C. Esta temática foi, por elas, desenvolvida, ao longo de todo o ano, na disciplina de Área de Projecto, sob a coordenação da professora Isabel Aragonês. A apresentação incluiu uma entrevista à psicóloga do Agrupamento Dr.ª Ana Cariano sobre o assunto e um pequeno filme onde abordavam várias problemáticas relacionadas com o tema e onde foram as protagonistas. Terminaram com um powerpoint muito elucidativo e pormenorizado que incluiu a pesquisa realizado ao longo do ano. Estão de parabéns! Consideramos que foi importante, este trabalho, não ficar confinado à escola mas ser aberto e divulgado à comunidade presente.
Na segunda parte a assistente social Dr.ª Alexandra Leal, a psicóloga Dr.ª Catarina Vaz e a jurista Dr.ª Sónia Botelho, representando o Núcleo de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica do Distrito da Guarda, apresentaram uma comunicação onde abordaram, de forma brilhante, assuntos relacionados com o tema e a sua especialidade.
Prof. Maria do Céu Ferreira

No Portal da Rede de Bibliotecas de Pinhel há mais fotografias deste evento no “Album de Actividades”, AQUI.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Apresentação do filme sobre as pinturas da Faia, Cidadelhe







No dia 6 de Junho, na sala 4 da Escola Secundária foi apresentado o filme intitulado “Viagem no Tempo”, realizado pelas alunas do 7.º E, Daniela Maria Fernandes Costa, Cristiana Santos, Maria dos Anjos Miguel Júlio, Marlene Soares Tavares, Filipa Fernandes Sousa.
O filme foi feito em Educação Visual e Área Projecto sob a orientação da professora Brigida Ribeiro e teve o apoio da Biblioteca e relatava uma história sobre as pinturas da Faia, em Cidadelhe, Concelho de Pinhel.
O Dr. André Santos é um arqueólogo especialista na arte Pré-histórica do Vale do Côa e falou aos alunos e professores sobre a importância mundial das pinturas e gravuras existentes no núcleo de arte rupestre existente em Cidadelhe, concelho de Pinhel.
As alunas adaptaram uma história da jornalista e escritora Filipa Melo, publicada na revista Visão em 1996. A história original passava-se no Paleolítico e as alunas adaptaram-na ao período Neolítico, época em que foram realizadas as pinturas da Faia.
Agradecemos à direcção do Museu do Côa, na pessoa do Dr. Martinho Baptista, e aos técnicos do Museu, Dr.ª Rosa Jardim e Dr. André Santos, todo o apoio prestado na concretização desta actividade, incluindo a cedência de imagens únicas e originais sobre as pinturas neolíticas da Faia.
O filme está disponível no Youtube (AQUI), no Portal da Rede de Bibliotecas de Pinhel e neste blog. Vamos colocar, também, uma versão em podcast (com a voz da Daniela Costa) que pode ser descarregado para os telemóveis.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

"A Voz da Escola" na Rádio Elmo

No Portal da Rede de Bibliotecas de Pinhel estão disponíveis mais fotografias do programa "A Voz da Escola" que passou na Rádio Elmo no dia 28 de Abril de 2011. As fotos podem ser vistas AQUI .

O programa será repetido na Rádio Elmo no próximo Sábado, dia 30 de Abril, entre as 13.00 e as 14.00 horas.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Voz da Escola - o nosso programa na Rádio Elmo

Amanhã, dia 13 de Janeiro, irá para o ar mais um programa na Rádio Elmo do Agrupamento de Escolas de Pinhel. A Voz da Escola será emitida em directo a partir da Escola Secundária de Pinhel entre as 11.00 e as 12.00 horas. O programa será animado exclusivamente por alunos da Escola Secundária e do Jardim de Infância de Pinhel. Para além da habitual entrevista, teremos notícias do agrupamento de escolas, música, poesia e leitura.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Voz da Escola - o nosso programa na Rádio Elmo

É já amanhã o primeiro programa do Agrupamento de Escolas de Pinhel na Rádio Elmo.
No dia 16 de Dezembro, entre as 11.00 e as 12.00 horas, a emissão da Rádio Elmo será feita a partir da Escola Secundária/3 de Pinhel.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

ULISSES

Os alunos do 6º ano, turma C, coordenados pela professora Beatriz Machado, na disciplina de Lingua Portuguesa, recrearam de forma criativa passagens do livro: “Ulisses” de Maria Alberta Menéres.



Uma Aventura de Ulisses

Vou contar em forma de poema, a aventura que Ulisses teve no mar das sereias na viagem de Tróia para a sua querida terra, Ítaca:


Ulisses no Mar das Sereias


Depois de tantas aventuras,
Ulisses e seus companheiros
Continuaram com a esperança
De se tornarem grandes marinheiros.

Indo para o mar das sereias,
Sem medo continuou
Pois seguindo as suas ideias,
Ulisses nunca falhou.

Circe avisou os marinheiros
Para taparem os ouvidos,
Não podiam ouvir as sereias
Para não serem atraídos.

Ulisses por ser teimoso,
O conselho dos amigos recusou,
Queria ouvir o canto das sereias
E os seus ouvidos não tapou.

Ele disse aos seus companheiros
Que não seria atraído
E concordou que o amarrassem
E o assunto ficava resolvido.

Ouvindo uma voz longínqua,
Atraído ele ficou
E de tanto lutar contra as cordas,
Quase num velho se transformou.

A voz era das sereias
Para os humanos atrair,
Mas Ulisses agradeceu a Circe
Por daquele perigo os prevenir.

Afinal Ulisses concluiu
Que os marinheiros tinham razão
O encanto das sereias
Era realidade e não invenção.

E continuando a sua viagem,
Ítaca estava mais perto
Afinal seria miragem
Ou ele estaria certo?

Jorge Vaz, 6º C




VERSEJANDO A HISTÓRIA DE ULISSES


Na ilha grega de Ítaca,
morava Ulisses, o valente.
Com Penélope e Telémaco,
fazia feliz a sua gente.

Era rei desse lugar,
de seu povo muito amigo,
quando a princesa Helena
Foi raptada pelo inimigo.

O inimigo era Tróia
e Páris, príncipe dos troianos.
A guerra iria começar
E duraria muitos anos.

Já cansados da demora,
Procuram a simulação.
Com um cavalo de madeira
arranjam a solução.

Do bojo hão-de sair
quando as portas se abrirem,
para vencerem os troianos
e rumo à sua terra seguirem.

Já no mar com os marinheiros,
O seu navio é arrastado por uma tempestade
para a ilha da Ciclópia,
onde Poliremos os reduz a metade.

Mas Ulisses, corajoso,
Pensa enfrentar o ciclope.
Depois de o embebedar,
Cega-lhe o único olho, de um golpe.

“Ninguém” diz ser o seu nome,
para se livrar dos gigantes,
e deixar o polifemo,
sozinho, como dantes.

Consegue sair da gruta,
com os poucos companheiros.
Devagar, devagarinho...
bem atados aos carneiros.

Quando o gigante o pressente
e começa a disparatar,
já todos os marinheiros
tinham voltado ao mar.


Catarina Machado, 6º C




Canção das sereias


Canção: Intervalo - Perfume

Ulisses, tu vem cá
Vem bem depressa
Sinto a tua falta
Já sei que trazes muitas notícias
Mas não voltes a partir.

Refrão:
Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes.

Porque estou aqui,
Não me deixes só,
Tenho muitas saudades tuas.
Já sei que trazes muitas notícias
Mas não voltes a partir.

Refrão:
Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes.

(BIS)

Daniela 6º C

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Concurso “Grande C”

"Gostas de Música? Tens a voz afinada? Escreves bem? Sentes que em ti há um designer pronto a mostrar o que vale? Tratas por tu as câmaras de filmar? És capaz de usar a internet para promover alguma coisa? Tens perfil de jornalista?” (In http://www.grandec.org/)

O Concurso decorre de 15 de Janeiro a 31 de Março. Consulta o regulamento geral em http://www.grandec.org/downloads/Regulamento_Geral.pdf

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Actividade PES: Teatro - Deixemos o Sexo em Paz

MARIA PAULOS

COMPANHIA DE TEATRO

“Deixemos o Sexo em Paz” tradução oficial do original “Sesso? Grazie, tanto per gradire.”, dos italianos Dario Fo, dramaturgo e Prémio Nobel da Literatura, e de Franca Rame, sua mulher, é uma comédia, em forma de conferência, que analisa, utilizando um riso crítico e devastador, a falta de uma verdadeira educação sexual, numa sociedade hipocritamente puritana, para quem o sexo é ainda tabu, tema de muito difícil abordagem para pais, professores e responsáveis Políticos.

FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA

Interpretação MARIA PAULO

Encenação e DramaturgiaCARLOS GUALDINO

Efeitos Sonoros – ESTÚDIOS SIARTE

Voz-off (prólogo) – RICARDO CARRIÇO

Figurino – MARIA GONZAGA

Cenografia e Painel – MARIA PAULOS

Luminotecnia e Sonoplastia – CARLOS GUALDINO

Produção – COMPANHIA DE TEATRO MARIA PAULOS

Destinatários: Alunos do Ensino Secundário da Escola Secundária c/3ºCEB de Pinhel

Calendarização: 29 de Janeiro de 2009 às 14.30 H

Duração: 1.15 H

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Plano Tecnológico da Educação

ME lança concurso para dotar escolas de Internet em banda larga de alta velocidade.
O anúncio do concurso público internacional que permitirá ligar as escolas à Internet em banda larga de alta velocidade, e entre si, foi publicado no suplemento TED do Jornal Oficial da União Europeia, em 20 de Fevereiro último.
Orçado em 14,5 milhões de euros, o contrato em concurso consiste na aquisição de serviços de comunicações de dados, de serviços de Internet, de locação de equipamento terminal, de alojamento de servidores e interligação entre redes lógicas das escolas do 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico público, das escolas secundárias do ensino público e dos organismos centrais, regionais e tutelados do Ministério da Educação.
Com a concretização do contrato, todas as escolas do 5.º ao 12.º ano terão pelo menos 48 megabits (Mbps) como velocidade de acesso à Internet.
Esta velocidade significa multiplicar por mais de 10 a velocidade actual de acesso à Internet destas escolas e antecipar em dois anos a concretização de uma das principais metas do Plano Tecnológico da Educação.
O concurso permitirá ainda ligar em banda larga de alta velocidade todos os serviços centrais e regionais do Ministério da Educação (ME).
Concretizar-se-á, assim, o projecto de interligação de escolas e organismos do ME numa rede alargada da comunidade educativa.
Fica ainda aberta a porta para a prestação de serviços de voz, vídeo e TV sobre a rede do ME.
Poupança até 20% dos custos com a Internet.
A Internet de alta velocidade permitirá abolir a duplicação de contratos de acesso à Internet existentes em centenas de escolas.
O ME estima que a contratação do acesso à Internet ao abrigo deste concurso permitirá poupar até cerca de 20% dos custos com a Internet suportados pelas escolas.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso?
Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;Come chocolates!Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.Come, pequena suja, come!Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!Meu coração é um balde despejado.Como os que invocam espíritos invocam espíritos invocoA mim mesmo e não encontro nada.Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,Vejo os cães que também existem,E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeiraTalvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos, 15-1-1928